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sábado, 18 de abril de 2009

A paixão pela F1


Vocês devem estar se perguntando qual o motivo da postagem feita de madrugada, às 6:00. A resposta é simples: hoje é domingo e domingo é dia de fórmula 1. Não sei direito quando comecei a gostar de corridas, mas foi há muito tempo. E nem tem aquelas historinhas românticas de: “assistia todo dia com meu pai”, “acompanhava e vi a morte do Senna”. Nada disso, só comecei a assistir e me apaixonei...

 A primeira corrida da história foi realizada em 1950, na cidade de Silverstone, Inglaterra. Eu, obviamente, não era nascido nessa época. E também não lembro qual foi a primeira prova que eu assisti. Sei que foi por volta de 2000, quando eu ainda tinha 10 anos.

Sabe o que isso quer dizer? Que eu fui alfabetizado no mundo das corridas na Era Schumacher. O fenômeno ganhou os cinco primeiros campeonatos mundiais que eu assisti (2000 a 2004). Tem como não gostar de um piloto desses (apesar de tudo que ele já fez)? Eu adoro o estilo Schumi de direção.

 Em 2005/2006 foi a vez de outro fenômeno: Alonso. A Renault veio e desbancou a toda poderosa Ferrari. Em 2007, Schumacher aposentou e foi a vez do frio e sem graça Kimi Räikkönen se sagrar campeão. O ano seguinte foi marcado por uma disputa violentíssima. Os melhores carros da temporada brigavam a cada corrida pelos pontos para serem campeões. E tinha um brasileiro na disputa...

 Sempre gostei do Felipe Massa. Acho o estilo de pilotagem dele uma coisa surpreendente. Caiu em uma escuderia grande e soube corresponder a isso. Mas outro piloto tão bom quanto ele surgiu nesse caminho para atrapalhá-lo: Lewis Hamilton.

 Aí a FIA (Federação Internacional do Automóvel) mudou várias regras para aumentar (ainda mais) a competitividade. E o inesperado aconteceu. Equipes que estavam com um futuro muito incerto, como a Brawn (antiga Honda), ressurgiram das cinzas e colocaram seus pilotos como os melhores do mundo. Jenson Button e Rubens Barrichello são os centros das atenções. O inglês é o líder do campeonato e o brasileiro o segundo... coisa que nunca ia ser esperada no término do campeonato do ano passado.

 Agora vamos à corrida de hj? A prova é no moderno circuito chinês e ontem já rolou a prova de classificação. E uma surpresa... Button, que era o mais cotado para a pole, ficou em 5º. Rubinho foi o melhor brasileiro, em 13º. E quem foi o pole position? Sebastian Vettel, da RBR, foi o cara do treino de hoje. Alonso, estreando deu sistema difusor, larga na primeira fila.

 Mas daqui a pouco eu volto e dou um up nessa página... afinal, a corrida é só às 4:00. Então daqui a pouco volto!

Tá, eu dormi. Via largada, sob chuva, e dormi... inferno! Acabei de descobrir que o Vettel liderou de ponta a ponta e ganhou. Mark Webber, também da RBR, completou a dobradinha. Os todo poderoros carros da Brawn ficaram em 3º (Button) e 4º (Barrichelo). Massa, mais uma vez, quebrou... essa definitivamente não é a F1 que eu conheço, mas tá muito boa mesmo assim!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"Denotativamente conotativo... um texto para rolar de rir"

O escritor número 1 entra na sala. Todos ficam calados.

- E? - pergunta o escritor número 12, atual campeão do grupo, pois seu último livro foi chamado pelo Jornal Acadêmico de "não só satisfatório, senão prazeroso em um nível quase sensual".

- Bem, a Revista Literária disse "Delicioso, e recheado de ambigüidades construtivas" - diz o escritor número 1, com cara de uma criança ao mostrar um desenho aos pais.

Todos soltam suspiros de alívio e onomatopéias de desdém.

- "Ambigüidades construtivas"... que bobagem - diz o escritor número 3, que, todos muito bem sabem, não tem um livro de sucesso (nem crítico nem comercial) em um bom tempo - Qualquer idiota pode construir uma ambigüidade. Mas só um verdadeiro mestre pode, e agora eu cito a Publicação da Literatura Norueguesa, "dar tantos significados à palavra 'morte' que até quer dizer ‘vida’". Referiam-se ao meu "A Sociedade jaz morta", mil novecentos... - e deixa o número no ar, como se não lembrasse, para que ninguém perceba o quanto tempo realmente faz desde que recebeu a honraria.

- Mas eles estavam se referindo, obviamente, à tradução norueguesa - diz o escritor número 1, juntando-se aos companheiros na mesa redonda. Ele não está chateado pela atitude dos colegas, pois sabe muito bem o que é temer o sucesso alheio. Mas ser criticado por 3 era demais.

- E quem fez a tradução norueguesa? - responde o número 3, com ironia. Não foi ele, mas espera que todos acreditem que foi e lhe deixem saborear a superioridade.

- Não se sinta mal, 1. Todos já fomos chamados de ambíguos - diz o número 5, se bem que ele ainda tem que ser chamado ambíguo, pois as únicas ambigüidades que consegue escrever são as que a reforma do português lhe proporcionam (e se delicia colocando 'pelo's e 'para's em lugares estratégicos do seu texto).

- Suponho que é um bom começo - conclui 1, enquanto pega uma massinha recheada da mesa de chá.

- Claro que é! Eu, nos meus primeiros dias, teria me sentido exultante se alguém me chamasse de "delicioso" - assegura 12, e todos sabem que o diz porque, nos seus primeiros dias, ele não só era chamado de "delicioso" mas também de "candidato seguro ao prêmio Nobel". Prêmio que, todos lembram com prazer nos dias de tristeza, ele ainda está para conseguir.

- Você está no bom caminho. Quando eu ganhei a Pena de Ouro pelo meu "Caminhos no Milharal" - diz 4, referindo-se a um prêmio que seus colegas chamam pelas costas de "Pena de Latão", pois nunca se ouviu de um escritor decente que o ganhasse (eles, com certeza, não ganharam) - foi pela minha habilidade de conferir, às palavras, não só mais de um significado, mas aquele que, segundo o diretor da academia, "lhe é inerente, ao ponto de, lendo esta obra, sentirmos que um novo dicionário está sendo escrito nesta nossa bela língua".

- Se você quiser, posso te emprestar um guia que ganhei, autografado pelo autor, sobre "Palavras e Coisas: O que uma diz da outra?" - diz o número 6, o "Invicto", pois sempre gostou mais de ler do que de escrever, mas seu único livro foi um sucesso indiscutível. Ele já leva vinte anos preparando a continuação. Todos sabem que é uma estratégia: Obras póstumas recebem muita mais atenção da mídia.

- Não, não, 6, assim você estraga o garoto. Deixe que a vida lhe ensine uma coisa ou duas - diz 11, cuja professora havia sido na verdade a Universidade Israelense de Letras (que, pelas críticas que sua última trilogia recebeu, necessitava ser urgentemente substituída pela vida).

- O importante - diz 7, e todos se calam, porque 7 raramente fala (mas, quando o faz, "solta um rugido capaz de abalar o mundo", segundo o Guia de Escritores do Século XX) - é que ele começou bem, e ainda é jovem. Nosso dever é ajudar a nova geração.

O silêncio permanece depois de 7 falar. "Ajudar a nova geração"? 7 obviamente não está bem da cabeça. Quem liga para a nova geração? Eles eram o que importava! Uma vez que estivessem mortos, a literatura jazeria com eles! Escrever, a nova geração? Escrever sobre o quê? 7 realmente estava um pouco senil.

- Ah! Esqueci de falar - diz 1, quebrando o gelo - A Revista dos Professores de Faculdade recomendou meu livro para os graduandos em letras. Disse que é "o perfeito exemplo de porquê escrever já não é uma questão de talento, senão uma questão de fome".