
Como tinha prova naquele dia, acordei às duas da manhã para estudar [normal]. Depois de alguns parágrafos, começei a ouvir um barulho estranho, parecia um zumbido de abelha que aumentava lentamente. Junto com isso, percebi um ruído de carros passando na rua frenéticos. O barulho da “abelha” aumentou tanto que já parecia uma máquina dessas usadas
Espantado com todo aquele qüiproquó àquela hora da madruga, eu corri até a janela para observar o que estava acontecendo. Moro no quarto andar e pude ver, surpreso, que cinco viaturas estavam paradas em minha rua. Uma rua estreita de mão única, tomada por uma barreira policial quase hollywoodiana. O zumbido não era de um inseto voador gigante, era um helicóptero. A aeronave estava voando baixo e procurava insistentemente com seu holofote direcionado para o edifício em construção vazio.
- ATENÇÃO! VOCÊS ESTÃO CERCADOS! SE REAGIREM AS COISAS SÓ VÃO PIORAR!
Isso foi o que eu escutei um policial dizer de dentro do helicóptero com um megafone. Essa foi a hora em que eu apaguei a luz da minha janela e coloquei minha cabeça para dentro. Eu não ia arriscar ficar com a luz acessa e com o crânio bem a mostra para sabe lá quem que estivesse naquela construção. Dizem que os traficantes treinam jogando Counter Strike!
Bom, a essa altura não dava mais para estudar. Primeiro por que eu estava animado demais em ver a polícia atuando ali, ao vivo, na minha frente, como num filme e eu assistindo de camarote. Mas depois, ficou tudo muito monótomo já que eles não conseguiam achar “os meliantes” e eu não conseguia concentrar para ler com aquele helicóptero voando em cima do meu quarto.
Já que estava de bobeira mesmo, decidi dar uma de pseudo-jornalista 24 horas e apurar o que estava acontecendo. Peguei o telefone:
- Alô? Serviço de Emergência do Corpo de Bombeiro. Em que posso ajudar?
- Hein?! Num é da Polícia Militar, não?
- Não, lá é 190.
- ah, desculpe.
...
- Alô, 34º Batalhão da Polícia Militar. Serviço de emergência, posso ajudar?
- Sim, sim. Olha, eu moro no bairro do Claustro. Tem cinco viaturas e um helicóptero em frente a minha casa. Poxa, são TRÊS HORAS DA MADRUGADA! Estou tentando dormir! Posso, pelo menos, saber o que está acontecendo?
- Sim, já recebemos cerca de trinta e cinco ligações da sua região até o momento. Bem, pedimos muita calma a todas as pessoas que se encontram nesse perímetro da cidade. Não há motivos para se preocupar. Gostaríamos que fechassem suas portas, janelas e cortinas. Isso é apenas um exercício de rotina e esperamos que em breve tudo volte à normalidade.
E desligou na minha cara.
P.S.: Isso porque eu moro em frente a uma universidade...


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